Nos primeiros séculos, este dia foi celebrado como o dia da reconciliação dos penitentes. Introduziu-se a missa para os que não podiam observar o jejum até a missa da ceia. Celebrava-se também a consagração dos óleos.
Com a reforma do Vaticano II, na parte da manhã deste dia celebra-se a bênção dos santos Óleos dos Catecúmenos, dos Enfermos e a consagração do Santo Crisma. A celebração reuni, em torno do Bispo, todo o clero da diocese. Assim, a Quinta-feira Santa torna-se um dia sacerdotal, com a renovação das promessas sacerdotais renovadas depois da homilia. Além do sacerdócio ordenado deve ser salientado e valorizado nesta celebração também o sacerdócio comum dos fieis. Na nossa Diocese, por razões pastorais, esta celebração é antecipada para a Terça-Feira Santa.
À tarde deste dia, celebra-se a Ceia do Senhor, com o lava-pés. Recorda-se a própria celebração da Ceia, na qual Jesus se dá como Pão da Vida e Vinho a Salvação. Nesta ceia Ele nos deixou o sacerdócio ministerial, para a perpetuação de seu Corpo e Sangue.
O lava-pés, já se fazia em Jerusalém, no séc. V. A partir do século VII a celebração se desenvolve mais. Acrescenta-se a trasladação solene do que restou das sagradas espécies para um tabernáculo provisório, para a comunhão do dia seguinte.. Com o aumento da devoção ao Santíssimo Sacramento, as espécies que sobram recebem honras particulares, ao ponto de se ser estabelecida pelo Papa Urbano IV, no século XIII, a festa do Corpo de Cristo (11.08.1264). O tabernáculo provisório, neste dia foi considerado pela devoção popular, como sendo sepulcro de Cristo. Outro acréscimo foi a desnudação do altar, como representação do despojamento de Cristo.
Hoje, é a noite da celebração da Ceia do Senhor. As leituras concentram-se na recordação da Páscoa judaica (Ex 12,1-8.11-14), na recordação da ceia feita pelo Paulo (1Cor 11,23-26) e da recordação do lava-pés, sinal do serviço e do amor do Senhor pelos que o seguem (Jô 13,1-5).
A adoração permanece como costume de acompanhar a memória de Jesus na angustia e na agonia daquela noite.
MISSA DO CRISMA
O que celebramos?
l Missa do Crisma e sacerdócio comum dos fieis:
“Jesus Cristo fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele glória e poder pelos séculos dos séculos. Amém”.
(MR, Antífona da entrada)
“Ó Deus, que ungistes o vosso Filho único com o Espírito Santo e o fizestes Cristo e Senhor, concedei que, participando da sua consagração, sejamos no mundo testemunhas da redenção que ele nos trouxe”.
(MR, oração do dia)
¨ Memória da instituição do sacerdócio ministerial:
“Celebrando cada ano o dia em que o Senhor Jesus comunicou o seu sacerdócio aos apóstolos e a nós, quereis renovar as promessas que um dia fizestes perante o vosso Bispo e o povo de Deus?”
(MR, monição da renovação das promessas sacerdotais
l Consagração do Crisma
l Bênção do óleo dos Enfermos
l Bênção do óleo dos Cateúmenos:
Elementos simbólico-rituais
l Após a homilia a renovação das promessas sacerdotais
l Procissão com os vasos com perfumes, óleo de catecúmenos, óleo de enfermos e com óleo do crisma.
l Bênção do óleo dos enfermos (antes da doxologia Por Cristo)
l Bênção do óleo dos catecúmenos e a consagração do crismo (depois da oração após a comunhão)
l Cor litúrgica: branco
MISSA DA CEIA DO SENHOR
O que celebramos?
n “Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício como banquete do seu amor...”. (Coleta).
n “... Todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (ofertas).
n “Ó Deus todo-poderoso, que hoje nos renovastes pela ceia do vosso Filho, dai-nos ser eternamente saciados na ceia do seu reino” (depois da comunhão).
n “Ele, verdadeiro e eterno sacerdote, oferecendo-se a vós pela nossa salvação, instituiu o Sacrifício da nova Aliança e mandou que o celebrássemos em sua memória. Sua carne, imolada por nós, é o alimento que nos fortalece. Seu sangue, por nós derramado, é a bebida que nos purifica” (prefácio).
n A Santa ceia ;
n Memorial da morte salvadora do Senhor;
n Banquete do novo e eterno sacrifício;
n Sacrifício da Nova Aliança;
n Ela torna presente a nossa redenção;
n Dada à Igreja para ser celebrada em sua memória;
n Ela renova a Igreja: é alimento que fortalece e bebida que purifica;
n Antecipação da ceia eterna;
Estrutura da celebração
n Ritos iniciais
n Canto: Nós nos gloriamos
n Glória
n Liturgia da Palavra:
n Ex 12,1-8.11-14 – Ritual da ceia pascal;
n Salmo 115 – O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor;
n 1Cor 11,23-26 – Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, proclamais a morte do Senhor.
n Aclamação: Eu vos dou um novo mandamento
n João 13,1-15 - Amou-os até o fim. Relato do lava-pés.
n Homilia
n (Lava pés – rito complementar). Canto: Jesus ergueu-se da ceia...
n Oração dos fiéis:
n Liturgia eucarística
n Transladação do Santíssimo Sacramento
(rito complementar realizado depois da oração pós-comunhão)
n Incensação do Santíssimo Sacramento;
n Procissão até o local devidamente ornado;
n Canto: Canta Igreja o Rei do mundo;
n Depósito no tabernáculo:
n Incensação;
§ Canto: Tão sublime Sacramento
n Adoração silenciosa dos ministros;
n Canto: Deus de Amos nós te adoramos;
n Retirada de toalhas do altar e das cruzes da igreja;
n Adoração do Santíssimo Sacramento durante algum tempo; contudo, após a meia-noite esta adoração deve ser feita sem nenhuma solenidade.
n Ofício da Agonia
Elementos simbólico-rituais
n Para a celebração de modo geral:
n A cor das vestes litúrgicas é branca;
n No início da Ceia do Senhor, o sacrário deve estar vazio;
n O canto do Glória acompanhado do toque de sinos e outros instrumentos; depois silenciam até o Glória da Vigília Pascal;
n Depois da 1ª leitura podem ser distribuídas ervas amargas (chicória, almeirão, mostarda) fazendo a memória da ceia judaica;
n Consagrar o pão suficiente para a Ceia e a comunhão da Sexta-Feira Santa;
n Retirada das tolhas do altar; retirar ou velar as cruzes;
n Cantos apropriados;
n Para lava-pés:
n Rito facultativo, mas muito expressivo com duplo significado:1º profetiza e anuncia a morte de Jesus como Servo Sofredor; 2º é sinal de doação total e do serviço a favor dos irmãos;
n Escolha dos “apóstolos”; não é necessário que os “apóstolos” sejam homens;
n Evitar que o lava-pés apareça como um teatro ou folclore;
n A apresentação pode ser integrada à proclamação do Evangelho;
n Canto apropriado
n Para a liturgia eucarística:
n Criar um ambiente para que a eucaristia seja reconhecida como verdadeira céia, como refeição. Para isso:
n Preparação das ofertas: toalha, cálice com vinho;
n Onde é possível celebrar ao redor do altar;
n Em vez de hóstias, usar pão sem fermento (cf. IGMR 281-283);
n Valorizar a fração do pão acompanhada pelo Cordeiro de Deus;
n Comunhão sob duas especies;
n Cantos apropriados:
n Para a transladação do pão eucarístico:
n A primeira finalidade é guardar a reserva eucarística para a comunhão da Sexta-Feira Santa; Em segundo momento foi criada a prática de adoração eucarística (resultado do desenvolvimento do “culto eucarístico a partir da Idade Média);
n Criar a consciência de que a celebração eucarística é a origem e o fim do culto eucarístico;
n Não confundir esta adoração com a adoração e a festividade de Corpus Christi. Adoração da Quinta- Feira Santa é realizada no contexto da Última ceia, do Horto das Oliveiras, da traição de Judas, do abandono dos discípulos e da eminência da paixão e morte de Jesus na Cruz.
n Criar momentos de silêncio, de salmos e de canto apropriados, de escuta da palavra de Deus.
n Textos sugeridos: Jo 13 – 15;
n Cantos apropriados ao momento celebrativo
Bibliografia consultada: Veja no artigo anterior: “A Liturgia da Semana Santa: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”.